quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O ESTUDO DA UNIVERSIDADE DA BEIRA INTERIOR SOBRE OS MUNICÍPIOS PORTUGUESES: NOVA PERSPECTIVA.

.
..
.
Da forma mais simples e resumida possível, tendo em linha de conta a complexidade do tema para o cidadão comum, e não só, vamos tentar entender porque chegámos a este ponto e o que podemos aprender com o estudo do Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social.

Também nós temos 2 opções:
1. Ignorar o estudo, não procurar perceber quais as razões que nos colocam nesta posição e partir para a ignorância (neste caso concreto, violência, ameaças e insultos), ou...
2. Não ignorar, analisar e procurar compreender, e respeitar os académicos que procuram contribuir com dados concretos para que quem gere municípios o possa fazer com o máximo de informação possível.

Vamos optar pela segunda, como não podia deixar de ser, e aproveitar para sugerir alguma bibliografia que possa servir de ajuda ao actual executivo camarário. Começamos já por este livrinho. É em inglês mas isso não será obstáculo.
.
.
O RESULTADO: São Pedro do Sul era 215º no estudo de 2007 e desce 46 lugares para 261º no estudo de 2009. Na região Centro existem apenas 2 concelhos entre os 20 piores classificados: infelizmente S. Pedro do Sul e Castro Daire.

AS VARIÁVEIS UTILIZADAS: Temos 3 grandes grupos, Condições Materiais, Condições Sociais e Condições Económicas. As Condições Materiais dividem-se em 5 subgrupos (Equipamentos de Comunicação, Culturais, Saúde, Educativos e Infra-Estruturas Básicas). As Condições Sociais dividem-se em 6 (Cultura & Lazer, Educação, População, Saúde, Segurança, Ambiente). Por fim as Condições Económicas dividem-se em 4 (Dinamismo Económico, Mercado de Habitação, Mercado de Trabalho e Rendimento/Consumo).
Temos um total de 3 grupos e 15 subgrupos que têm várias variáveis, no total de 50, e que podem ser consultadas com detalhe no link seguinte:

.
Falamos então de 50 variáveis, de fonte fidedigna, em análise. Nada há a dizer. As variáveis utilizadas estão perfeitamente relacionadas com o indicador de desenvolvimento social e económico que se quer calcular. Fica aqui a informação de que a fonte é o INE (Instituto Nacional de Estatística), e que o seu Presidente tem 61 anos, e é a Dr.ª Alda Maria. Como o executivo ainda não teve tempo de ler a sugestão anterior, aconselho que não se comece já a correr para a Av. António José de Almeida, em Lisboa, para pedir explicações à Dr.ª Alda Maria, até porque ela não é para brincadeiras.

Vamos entrar então na metodologia, e aqui o tema complica um pouco, por isso seguem mais 3 sugestões de leitura prévia para o actual executivo. A boa notícia é que um dos livrinhos tem tradução para português.


O MÉTODO: Para analisar estatisticamente as variáveis e transformá-las num número concreto para cada município (o ICQV – Indicador Concelhio de Qualidade de Vida), de forma a ser possível compará-los e construir o ranking, existem muitas formas/métodos. Basicamente o que os autores fizeram foi pegar no conjunto de variáveis inicial e ver até que ponto elas estão relacionadas (Correlação ou Coeficiente de Correlação). O importante é que as variáveis de que falámos antes estejam bastante relacionadas entre si, porque só assim podemos dizer que a amostra, que é o conjunto de todas elas, e que é a base de todo o estudo, tem validade. Foi o que se comprovou nos testes estatísticos que os autores fizeram. Depois foi pegar nessas variáveis e saber, de todas, quais as que são mais importantes para o cálculo do ICQV e termos assim um número menor de variáveis para a analisar sem perda de qualidade nessa mesma análise. Uma espécie de “funil”, uma triagem para perceber quais as melhores. O que se conseguiu com este trabalho foi identificar 4 factores explicativos, cada um deles com grau de importância distinto e composto por alguns dos subgrupos anteriores e respectivas variáveis.

A título de exemplo ficámos a saber que o Factor 1, designado pelos autores por Factor Económico, de Mercado de Trabalho e Segurança, que tem 5 dos subgrupos anteriores como mais significativos, a ver, Equipamentos de Educação, Segurança, Rendimento/Consumo, Mercado de Trabalho e Dinamismo Económico, possui uma importância de 40% no cálculo do ICQV.

Factor 1 - Factor Económico, de Mercado de Trabalho e Segurança
Factor 2 - Factor Equipamentos Diversos, Cultura/Lazer e População
Factor 3 - Factor Saúde e Equipamentos de Comunicação
Factor 4 - Factor Ambiente, Educação e Habitação


A INTERPRETAÇÃO: O que podemos concluir é que para a explicação do nosso fraco resultado (ICQV = 48,9), o Factor 1 e 2 são fundamentais devido ao seu peso de 40% e 30% respectivamente. Mesmo que o Concelho tivesse bons resultados no Factor 3 e 4, que nem é o caso, era praticamente impossível sair do fundo da tabela. Em resumo, variáveis relacionadas com Dinamismo Económico, Cultura & Lazer, Equipamentos Culturais e Rendimento/Consumo foram as que ditaram o resultado de S. Pedro do Sul. Estará muito longe da realidade? Não, infelizmente para todos nós está muito perto. Por isso em vez de se ter chamado “charlatão” ao Professor Universitário, e de se ter afirmado que “estivesse em idade disso deveria levar umas bofetadas” o executivo podia ter dito, por exemplo, “Não temos empresas; não temos recintos culturais - museus, galerias, cinemas, teatros - dignos de uma cidade; o que temos é pouco poder de compra; o que temos são dificuldades no abastecimento de água, dificuldades na drenagem e tratamento de águas residuais. Do estudo resultou uma valorização importante destes aspectos, que aceitamos, e vamos tentar trabalhar para melhorar, não porque o estudo o diz, mas porque é importante para o Concelho.”. Ou, entrando numa linguagem mais técnica, questionar os autores sobre o detalhe dos cálculos para S. Pedro do Sul para perceber se a extracção de factores com base no método dos componentes principais que explicam o máximo de variância pode ser individualizado, e se o fosse, se o resultado seria distinto do realizado para o conjunto de dados. Mas se calhar é exigir demasiado… Fiquemo-nos pela primeira então, porque humildade e vontade em aprender com os erros nunca foi vergonha para ninguém, muito pelo contrário.

Em suma, cabe aos Sampedrenses decidirem se é importante que o Concelho tenha mais empresas, e empresas com dinamismo capazes de gerar mais emprego. Que existam mais trabalhadores por conta de outrem com a possibilidade de ter salários acima da média e maior poder de compra. Que existam equipamentos culturais capazes de trazer a Cultura às populações. Consideramos que estes aspectos são importantes para o futuro desenvolvimento do Concelho, e se pusermos a mão na consciência este resultado pode ser tudo menos surpreendente.


Para terminar, e porque se acabou a falar em Cultura, a última sugestão de leitura é a que se segue. Infelizmente também em inglês. Mas neste caso não tem importância porque o actual executivo não vai precisar de ler este livrinho. Música foi o que nos andaram a dar nos últimos 10 anos.

“…a mudança está a chegar a S. Pedro do Sul, melhores dias ainda são possíveis se houver pessoas que estejam disponíveis para trabalhar, para lutar, para acreditar… O caminho vai ser longo, o trabalho vai ser duro, mas sabemos nos nossos corações que estamos prontos para mudar, e nestas eleições estamos prontos para voltar a acreditar.”

Nelson Abreu - Nº2 na lista de candidatos à Assembleia Municipal

3 comentários:

  1. O que gostava mesmo era de ver o Prof. Tavares ou o Prof. das bicicletas a fazer um artigo destes. Ainda se fosse sobre o vinho de Lafões, aí seriam certanmente versados...

    ResponderEliminar
  2. Mais uma malha no Tó! Cheguem-lhe. está na hora de acabar com as fantochadas e vigarices.

    ResponderEliminar
  3. http://robindotelhado.blogspot.com/2009/09/to-carlos-o-reformado-apos-quase-uma.html

    ResponderEliminar